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Aula 3: Motores 2 Tempos

Quem nunca ouviu falar da famosa viúva negra? A poderosa RD350 *-*


Ou então a DT180... algumas das motos que fizeram a alegria da galera nos anos 70/80/90  *-*




O que elas tem em comum?

Seu potente motor 2 tempos, aquele som inconfundível, soltando fumaça pra todo lado... mas que todo mundo ainda acha o máximo e baba quando alguma legal passa.

E é isso aí, aula do último sábado sobre motores 2 tempos \o/



Importante: O conteúdo que estou escrevendo é com base no que entendi da aula no curso de mecânica na Radial Cursos , não é responsabilidade deles caso eu escreva algo errado, é até bom que me corrijam afinal conhecimento é sempre bem vindo :-) Mas se o post ficar bom... créditos pro professor Marco hein ;-)

Embora não seja mais permitido a fabricação de motores 2 tempos no Brasil, é interessante conhecê-lo pois ainda rodam muitas dessas motocas por aí, vamos lá então \o/

Muitas pessoas acham que os motores 2 tempos vieram antes dos motores 4 tempos, mas não, sua engenharia e construção simples foi uma evolução do 4 tempos, e ele possui algumas características bem interessantes, vamos analisá-las:

  • É normal sair fumaça: Nos motores 2 tempos, é misturado o óleo 2 tempos no combustível, com isso, ocorre a queima do óleo e da gasolina simultaneamente, aquela fumaça branca que sai do escapamento é prova de que a lubrificação está ocorrendo normalmente.
  • Maior velocidade inicial e som característico
  • Motores de alta rotação = maior consumo de combustível
  • Motor mais simples = menor número de peças ... etc
  • Peças com menor vida útil

Mas vamos analisar tudo por partes ;-)

Já aprendemos na Aula 1 que os motores são constituídos por cabeçote, cilindro e cárter.

Nos motores  2 tempos o cabeçote não possui nenhuma peça móvel, apenas a câmara de combustão e o orifício da vela. Isso é ótimo porque é quase raríssimo dar qualquer tipo de problema.




 No cilindro encontramos uma das principais diferenças entre o 2 tempos e 4 tempos, ele possui algumas "janelas" de admissão, escape e transferência. Essas palavras são familiares por termos aprendido sobre o Ciclo de Otto, e nos motores 4 tempos, todo esse processo ocorria de forma separada.

Já no 2 tempos, elas são meio que integradas, note a imagem do cilindro:







Conseguimos observar essas janelas, que servem para:
  • janela de admissão: entrada do combustível
  • janela de escape: saída dos gases queimados
  • janela de transferência: transfere a mistura (combustível, óleo e ar) do cárter para o cilindro
Como é esse funcionamento?

Nos motores dois tempos, a admissão e a compressão estão combinadas em um único ciclo enquanto a combustão e exaustão estão combinadas em outro, eliminando a necessidade de válvulas.
Neste caso, as válvulas são substituídas pelas janelas já mencionadas que são abertas e fechadas pelo próprio pistão durante seu curso.


Conforme o pistão desce depois da explosão, abre-se a janela de escape, permitindo que o gás queimado saia do cilindro.
A mistura (ar, combustível e óleo) é jogada para dentro do cilindro pela janela de admissão. Conforme o pistão sobe novamente, bloqueia as duas janelas, comprimindo a mistura. Aí, então, a vela emite a faísca e o processo começa novamente. Neste caso, é uma faísca a cada evolução.
 
Nos vídeos abaixo é possível ter um perfeito entendimento do processo ;-)
 
 
 
 
 Já no cárter, ele é chamado de seco, isso porque ele é dividido internamente, o virabrequim fica separado do câmbio e da embreagem.


 
Por esse motivo, o sistema de lubrificação é um pouco diferente: São utilizados dois tipos de óleo, um multiviscoso comum (como o que usamos nos motores 4 tempos) usado para ficar no compartimento do câmbio e embreagem, e um óleo especial 2 tempos, que é misturado a gasolina, lubrificando assim o virabrequim. Esse óleo 2 tempos, após fazer a lubrificação do virabrequim é queimado junto com a gasolina e eliminado como fumaça pelo escapamento.
 
O óleo 2 tempos pode ser tanto adicionado à gasolina no próprio tanque, normalmente na proporção 20:1 (20 litros de gasolina para 1 litro de óleo 2 tempos) como pode tbm ser através da bomba de óleo (com o autolub) que leva o óleo ao carburador, onde lá é misturado a gasolina. 
 
 
 Para as motos que usam o autolub, é necessário alguns cuidados, como fazer a sangria caso apresente bolhas de ar na mangueira, verificar a vazão e é super importante haver sincronismo do cabo com as referências ao montá-lo.

O óleo dois tempos, assim como os outros que vimos na Aula 2 tbm possui suas características na própria embalagem, com as classificações API e JASO. A regra das letras é a mesma, quanto maior a letra, mais avançado é o óleo:






 No motor dois tempos, há uma manutenção que é primordial para continuar apresentando a tão elogiada potência destes, que é a descarbonização. Devido a queima do óleo, é formado uma camada de carvão no pistão, no cabeçote e na janela do escape, isso faz com que a compressão do motor aumente, mas a potência diminua.

Bem, devido a alta poluição ambiental, sonora e alto consumo, provavelmente cada dia veremos menos motores 2 tempos, mas ainda assim achei o máximo aprender sobre eles, e agora, como resistir a tentação de pegar uma poderosa dessa só pra fuçar? Ahhh se meu bolso deixasse rsrs.

Mas ainda da pra curti-las um pouquinho ;-)


 Até a próxima \o/

Comentários

  1. Muito boa aula Noellen, daqui pouco a gente além da prova oral no tenere club vamos ter que fazer prova final frente a você em nossas motos risos. obrigado mais uma vez por disponibilizar sua aula para nós.

    Deus te abençoe

    JUNTOS E MISTURADOS NUNCA ENROLADOS! É TENERES EM AÇÃO HUURU

    ResponderExcluir
  2. Bom dia Noellen, estou aqui aprendendo um pouco mais sobre essas paixões de 2 rodas. A viúva negra é poderosa, sem dúvidas, se bem que prefiro minha lander... é mais fácil e dócil de pilotar...rsrs

    ResponderExcluir

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