Fazedor de Chuva - Rota Nascente - 04/10/2014

Recentemente estava lendo algumas citações sobre o tempo e a leitura e uma em especial chamou minha atenção:

"O tempo para ler é sempre um tempo roubado. 
(Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.)
Roubado a quê?
Digamos, à obrigação de viver.
É sem dúvida por essa razão que se encontra no metrô - símbolo refletido da dita obrigação - a maior biblioteca do mundo.
O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.
Se tivéssemos que olhar o amor do ponto de vista de nosso tempo disponível, quem se arriscaria? Quem é que tem tempo para se enamorar? E no entanto, alguém já viu um enamorado que não tenha tempo para amar?
Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, 
pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse.
A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser."

Daniel Pennac

Motociclistas talvez também consigam adaptar o prazer de viajar nas palavras citadas acima. Quem hoje tem realmente tempo e dinheiro pra viajar? Precisamos roubar cada instante das obrigações, e aproveitar muito esses momentos, pois estes são justamente um dos motivos da felicidade que sempre esboçamos com o olhar. Pensando por esse ponto de vista, o desafio Nascente dos Fazedores de Chuva está encontrando um duro obstáculo: A minha falta de tempo. Comecei a percorrer o Rio Tietê dia 01/05/2014 ,  já mudamos para 2015 e ainda faltam muitas cidades a rodar, mas quer saber? Não tem problema que demore cumprir o desafio, ou mesmo demore a escrever, pois cada uma das viagens são especiais, e cada encontro com o rio faz meu tempo valer muito a pena :)


Bem, já deu pra perceber que estou mega atrasada com as postagens no blog, é que atualmente meus planos estão sendo viver cada vez menos o mundo virtual e curtir o mundo real, e como diz meu amigo Carlos Boni, estou tentando abrir a janela para alguns que surgem, embora isso continue não dando muito certo rsrs, mas enfim, vamos lá, vou finalmente registrar como foi a aventura de Outubro, quando percorri mais algumas cidades.

Bora lá pra aventura juntos ;-)

Saí do emprego por volta das 17:30hrs na sexta feira, 04/10 e fui direto pra estrada, meu plano era me hospedar em Ibitinga, mas por ter ficado um pouco tarde optei por parar em Araraquara mesmo, mais seguro, sabem que mulher sozinha viajando de moto a noite não é a coisa mais sensata a se fazer.

Depois de rodar um pouco achei um hotel razoável a um preço justo, com um porteiro gente boa, o Hotel Araraquara. Viajante em modo econômico tem que ser sem frescura, só o essencial. E seu Rubens era realmente gente boa, mas me chamou de louca vezes demais para a proporção de tempo que ficamos conversando rsrsrs  :-P

Quarto bem simples mesmo, mas o suficiente :)



A única parte crítica desse dia foi eu ter saído sozinha rodando pelo centro da cidade 23:45hrs da noite só pra cumprir mais um desafio do Xol rsrsrs dá pra acreditar? É, a coisa tá feia, mas deu tudo certo \o/ Sua culpa viu Jota :-P


No sábado pela manhã peguei a estrada novamente e dessa vez pra valer no desafio, o primeiro destino foi Ibitinga.


Descobri logo na entrada da cidade que Ibitinga é conhecida como a capital nacional do bordado, em todo canto tem loja e lindos artigos, vale a pena a visita, espero levar minha mãe em breve pra conhecer :)


Fui em direção ao centro e por ter a feira bloqueando a rua tive dificuldade em localizar a prefeitura, perguntei pra um motociclista super interessante por lá... poderia ter ficado batendo papo... mas o tempo é curto e parti logo rsrs ta aí o registro




Mas como definitivamente não resisto a conhecer melhor os lugares... fui ver um pouco da feira, mta coisa bacana, mas de moto... resisti as compras =/


Já em direção à saída da cidade, achei essa casa bacana e parei pra tirar todo. Em frente ficava um estabelecimento de moto taxi que ficaram mexendo ... falando pra ir tirar foto deles...


... e na maior cara de pau fui kkkkkkk agora imagine a cara deles qdo fui me aproximando... um até correu pro escritório e ficou sendo zoado pelos outros kkkkkk mas está aí o registro, danadinhos hein :-P


Me encontrei com o Rio que passa em Ibitinga na volta depois de Reginópolis, mas pra manter a ordem segue o registro *-*




A segunda cidade do dia foi Borborema, cidade pequenininha e que tem tudo a ver com o significado do seu nome: O topônimo "Borborema" é originário do termo tupi ybymbore'yma, que significa "terra sem habitantes"  rsrs , de tão pequena estava realmente quase deserta.


A prefeitura fica no centro mas a entrada é meio escondida no meio da praça, tive que dar a volta umas 3 vezes até entrar pela via dos portadores de necessidades especiais e chegar perto pra foto.




Um senhor bem idoso andando com o cachorro ao lado chamou minha atenção, depois de alguns passos ele sentou em um dos bancos e ficou lá observando o "movimento", e o cachorro como fiel escudeiro ficou ao seu lado. São essas situações que me deixam encantada em observar as cidades pequenininhas, quem teria coragem de ficar sentado tranquilo no centro de São Paulo? E seria possível ficar tranquilo por lá?



Saindo da cidade fui em direção a Pongaí, e finalmente me encontrei com o Rio Tietê, que continua lindo e majestoso.



Fiquei um tempão só observando as águas, os pássaros, a vida que existe nessa região :-)


E já fica o registro do lado de Pongaí tbm.






O próximo destino foi Uru, lugar super pacato. De acordo com o site da prefeitura, Uru tem 1406 habitantes, sendo 503 moradores da zona rural, da pra imaginar uma cidade tão pequenininha assim? Até o meu bairro é bem maior que isso rsrs chega a ser engraçado percorrer lugares assim.


Pra tirar a foto na prefeitura abri o portão e fui entrando com a moto, o pessoal ficou me olhando com uma cara suspeita kkkk mas foi tranquilo e rápido, saí na boa fechando o portão como boa visitante rsrs


Sinceramente acredito que ambientes familiares é o que falta nas grandes cidades. Uru tem uma característica muito bacana, o bancos da praça tem o registro das famílias de lá, podem ser vereadores... empresários... sei lá, mas o ar é outro e tudo fica muito mais próximo da população, olhem aí que bacana as fotos:




Pra registrar o Rio Tietê que passa em Uru e em   Reginópolis é necessário sair um pouco da estrada, e aí já sabe né, só aumenta a diversão. Já havia lido os relatos do meu amigo Gilmar e sabia onde procurar, então tudo ficou muito mais fácil. Na estrada que leva a Reginópolis tem o bar do Nel & San, e o mais engraçado é que quando parei pra perguntar se era ali mesmo a entrada, me falavam como se já tivessem dado essa mesma informação a muitos outros viajantes kkkkk explicando certinho cada entrada, cada curva rsrs


Enfim, é moleza, anota aí: Entrou na ruinha ao lado do bar, logo após passar a ponte conforme abaixo vira a direita:


Vai chegar nessa trifurcação , e aí pega a via da esqueda:


É só ir reto... na boa... estrada tranquila mas com pequenos trechos com um pouco mais de areia, o que pode ser meio ruim pra quem vai de moto custom, mas com a Lander... diversão garantida \o/


Ao chegar nessa bifurcação, lá longe já da pra ver o rio Tietê, e para se aproximar é só virar a direita e seguir reto:


Está vendo o rio lááááá na frente?


Logo começará a ver as placas da Fazenda Santa Laura, garantia que está no caminho certo ;-)


Quando cheguei na entrada da fazendo não tinha uma alma humana vivente, bicho de cidade fica com medo de entrar sem pedir permissão né... mas fui mesmo assim, ví mesmo só os animais:


E o rio, majestoso como sempre :-)  O lado de Uru:


E o lado de Reginópolis, bem, mais ou menos rsrsrs


Seguindo adiante sem perder muito tempo, #Partiu Reginópolis



Uma coisa gostosa nessas cidades é que é tão fácil se localizar, passou uma vez, na segunda já vamos dando informação rsrs




Saindo de Reginópolis, peguei sentido Ibitinga, fiz um círculo buscando dinamizar a viagem e ganhar tempo, então fica por aí o registro tbm para Reginópolis.



E o encontro com Ibitinga. Uma informação: As rodovias por lá estão em excelente estado, exceto um pouco antes de Uru, o restante o asfalto parece um tapete :-)


A próxima cidade foi Novo Horizonte:



Mas com a tarde se esvaindo nem fui conhecer nada, passei só pelo registro.




Em Sales já não consegui que fosse apenas uma cidade de passagem, lugar lindo *-*


E a famosa parada no portal para a foto rendeu desconfiança da polícia rsrsrs veio um guarda me perguntar se estava tudo bem, pra onde eu estava indo... poxa, nunca tive cara de suspeita :-P




Mulher é bicho doido né, vê um coqueiro diferente e já acha o máximo!!!


Após o registro na prefeitura, parti para as prainhas, como a galera chama, há várias por lá, e a cidade parece ser bem turística.



Acelerei um pouquinho para encontrar logo o rio...



Mas antes disso um carinha com uma Honda cheia de pão ficava toda hora me passando, aí  fiquei receosa e acelerei de vez, não perdoando curvas ou redutores de velocidade, depois de alguns minutos que estava lá na prainha, eis que o cara chega puxando assunto e falando que corro demais kkkkkk e que ele achou que eu estava atrasada pra pegar a Balsa, por isso saí correndo kkkkkk . Papo vai, papo vem, me disse que tinha vontade de ir pro Nordeste de moto, visitar a família, e que tbm sempre viaja ali pela região, amantes de motocicletas logo se identificam né :-) gente boa o rapaz o/ mas logo se despediu e voltou a vender pão pro pessoal que aguardava a balsa, e eu?


Continuei ali só observando, encantada com o rio :-)


E registrei a passagem de uma Filhos da Lua MC por ali


Quando ví a placa que estava próxima à cidade de Adolfo, acelerei novamente pra dar tempo de encontrar o rio antes do sol se por, e valeu a pena, entrei na cidade e fui direto pra Estrada Rio, as fotos abaixo já não precisam de legenda, o olhar de cada um entenderá o que senti nesse momento  *-*





 

Nos encantamos, simples assim :-)  É por isso que dizem que a diversão começa quando o asfalto termina, é exatamente por isso que dizem isso!!!


Voltei pra cidade  afim de registrar a prefeitura mesmo a noite e achar um hotel:




Adolfo é uma cidade super agradável de 3557 habitantes de acordo com o site da prefeitura, e olha que olha a história da origem do nome por lá : "Com a construção da Igreja Católica iniciou-se a abertura das ruas nos terrenos de propriedade do Senhor Adolfo Amaral Mendonça, expandindo-se assim a pequena vila Jericó, cabendo ao Senhor Sebastião Volpe esquadrejar os quarteirões iniciando-se em seguida a venda dos lotes. Com o prolongamento da Vila Jericó em terras de Adolfo Amaral Mendonça, levantou-se uma questão sobre a denominação da Vila. De um lado os protestantes mantinham o nome de Jericó, e de outro lado os demais habitantes queria por nome Maitinga, surgindo então o nome de Adolfo para por fim a questão."  Sabe aquelas crianças que não deixam o futebol rolar só porque ela é a dona da bola? Lembrei disso rsrsrs o cara mandou geral, ia chamar Adolfo e ponto final kkkkk.


Infelizmente não consegui me hospedar em Adolfo, até me indicaram um hotelzinho, chegando lá encontrei um vereador que veio me fazer um monte de perguntas... mas o dono do hotel me mandou embora, falou que estava sem empregada... que ele precisava sair... que o quarto ia sair muito caro... entendi logo  e parti para José Bonifácio, uma pena, queria conhecer um pouco mais por lá =/

Neste dia percorri então as seguintes cidades:
Ibitinga
Borborema
Pongaí
Uru
Reginópolis
Novo Horizonte
Sales e
Adolfo

Ótima média  para um dia né, agora aguenta aí que teve muito mais no dia seguinte \o/

#PartiuEscreverHistoria





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