22/03 - De Villazón - Bolívia a Humahuaca - Argentina

No post passado eu havia mencionado que ter decidido dormir em Villázon foi a pior decisão que tomamos em toda a viagem. E o motivo disso descobrimos no dia seguinte, quando precisamos atravessar a fronteira para a Argentina.

Era sábado e por volta das 9 hs estávamos prontos para sair da Bolívia, nós e mais dezenas e dezenas de pessoas ¬¬' , todos dependendo de um sistema precário e enrolado ¬¬'

Primeira coisa a se fazer é dar saída das motos, e pela primeira vez pegamos um policial que nos pediu uma "contribuição". Eu já havia lido um relato que nesta mesma fronteira pediram essa "ajuda", o motociclista deu 5 bolivianos que é a moeda de maior valor na Bolívia, falei isso pro Carlos para que, caso nos deparássemos com esse mesmo problema não precisássemos nos preocupar em oferecer muito dinheiro. Para nós isso é equivalente a centavos, mas se estávamos com tudo certo e documentado, gastamos um dinheirão nos preocupando com a PID, com o SOAT boliviano... é injusto esse pedido e minha consciência ficou incomodada com essa ideia.

Havia acabado nosso dinheiro boliviano e o Carlos trocou um pouco, importante: As casas de câmbio, tanto de bolivianos quanto de pesos argentinos tem apenas do lado da Bolivia, por garantia já cuidar disso por lá.


Para dar saída da moto basta apresentar uma cópia e o original do protocolo que foi entregue pela Aduana na entrada da Bolívia, o policial carimba e pronto. Quando fui o policial era só sorrisos, fiquei intrigada com quanto o Carlos deu pro cara, depois ele me disse que foram 10 bolivianos, menos mal ¬¬'


E finalmente a Argentina!!



... bem, quase, ainda faltava dar a nossa saída da Bolívia e entrada na Argentina, e lá fomos nós para a saga...

Pra começar a primeira fila, enorme!!! E sem preferencial ou organização ¬¬' crianças, idosos, todos amontoados em pé, no sol, esperando sua vez. Famílias que pareciam estar com a casa inteira nas bagagens =/ bem complicado.



Para o processo de saída basta apresentar o passaporte e o protocolo original de entrada na Bolívia.


Depois de um loooooongo tempo, finalmente demos saída na Bolívia, faltava "só" a entrada na Argentina, e mais uma looooonga fila pra coleção.


Tinha uma policial por lá que estava me perseguindo ¬¬' . Qdo eu cheguei ela veio me dizer que não podia deixar a moto onde eu havia colocado, o Carlos colocou a dele a 2 metros da minha e ela me fez voltar 1 metro pra colocar a moto ao lado da dele. Saí pra ir pedir informação e lá veio ela novamente, me fazendo voltar o trajeto só para que eu passasse pela calçada, tinha uns 5 metros de calçada apenas e ela fazia questão que passasse por lá. As filas estavam gigantes? Sem problemas. Tinha gente cortando fila? Sem problemas. Tava tudo uma sujeira e tinha até um porco no córrego da fronteira? Sem problemas, desde que os 5 metros de calçadas sejam usados!!!! Que RAIVA!!!!

Quando estava chegando nossa vez nos entregaram o formulário para preenchimento. Ahhh levem caneta, nem isso oferecem ¬¬'


A cara de alegria da pessoa:


e depois de mais alguns minutos, finalmente tudo ok, mas ainda faltava dar entrada da moto. Importante: Quando estiver dando entrada pessoal na Argentina já avisa que está de moto e que dará entrada dela tbm, pois preenchem alguma coisa lá internamente, esse é um detalhe que fez o cara repreencher o meu cadastro rsrs


Agora foi a saga das motos, ainda bem que não demorou taaaaanto assim, primeiro deve-se apresentar o documento carimbado que recebemos na Bolívia (pode ser a cópia ou original) para o lado argentino, a responsável da entrada e encaminha para a Aduana. Na Aduana nos pediram a carta verde, como já estávamos com o documento em mãos não tivemos nenhum problema, mas não sei qual o processo caso vá tirar o documento na própria fronteira.

Depois de assinar vários formulários, finalmente liberados................... para ir para o sensor das bagagens. Eis que surge a policial de novo, e de novo a perseguição com ela me fazendo voltar 1 metro para colocar a moto onde ela queria ¬¬'  Desmonta a moto toda pra passar os alforges na van, pediram pra ver o baú do Carlos apenas, a minha passou batido ;-)

Essa saga toda levou 6 horas, isso mesmo, 6 horas!!! Absurdo que comprometeu todo o nosso planejamento ¬¬'

Finalmente pudemos passar, mas lembra a parte que não tem casa de câmbio do lado argentino? Então, o Carlos teve que voltar pra trocar um pouco de dinheiro, não sabíamos disso até então. Almoçamos lá perto da fronteira por volta das 15 horas e percebemos que finalmente iríamos passar muito bem na Argentina, se tínhamos emagrecido alguma coisa no Perú e na Bolívia por causa da comida não tão agradável... iríamos achar todos os quilos por lá rsrs, muito bom!!!

Pegamos a estrada rumo a Humahuaca: retas..


...retas...


...retas...


...e mais retas...


O cenário ficou muito bonito quando começaram a aparecer as montanhas coloridas que dão fama a Humahuaca...


... mas as retas continuavam!!! rsrs A rodovia está em ótimo estado, sem reclamações do asfalto nesse trecho :-)


Por ser um lugar muito aberto pegamos muito vento na rodovia, as motos mal passavam de 90 kms/hr e foi nesse momento que o Carlos e eu tomamos a difícil decisão: Pular o Chile e pegar o caminho de volta pra casa.
Decidimos isso com dor no coração porque o Atacama seria um dos pontos altos da viagem, passamos por tantos desafios para estar por ali, tão pertinho... e ao mesmo tempo tão longe. O que pesou em nossa decisão foi a raiva da fronteira por termos perdido tanto tempo, pois dificilmente chegaríamos ao Chile no mesmo dia, e aí, mesmo que fôssemos teríamos apenas um dia pra ficar por lá e já começar a voltar, e isso com um retorno muito puxado. Levando-se tbm em consideração que teríamos mais uma fronteira pra encarar, pagar o SOAP por lá, minha perna não estava muito boa... bem, tem horas que precisamos saber quando voltar, infelizmente!!

Encontramos postos de gasolina apenas em Humahuaca, e decidimos nos hospedar por lá mesmo.


Com essa mudança de roteiro, ficamos tbm mais tranquilos financeiramente e até cancelamos a parte de viajar em modo econômico, ficamos num dos melhores hotéis de Humahuaca, o quarto do Carlos tinha até banheira kkkk eu que tenho cara de pobre fiquei num mais simples, sem esses luxos, mas ainda assim mto bom rsrs.


Nos impressionaram os muitos cactos gigantes por lá.


E a noite uma voltinha básica para irmos no melhor restaurante de toda a viagem \o/


Por vários cantos da cidade encontrávamos retratos e menções ao Che Guevara, gostei de descobrir isto visto que a história de aventura e determinação dele sempre me chamou muito a atenção.


É... passamos muito bem, muito mesmo rsrs Um carneiro assado muito bom!!!


Até aqui foram 7050 kms, mas ainda teria mto chão até chegar em casa \o/


Uma coisa curiosa é que no dia seguinte postei no facebook sobre a mudança de planos e, além do comentário da minha mãe de "finalmente estão voltando. ufa!!!" rsrs , recebemos muitos conselhos e torcida de motociclistas experientes que nos encheram de motivação e nos deram mais certeza que era a melhor decisão, como o que "só podem tomar essa decisão quem tentou e saiu do lugar" do Elson, ou o do Anderson de que "prudência é melhor que resistência em algumas circunstâncias e saber ouvir a voz interior nessas horas é o mais importante", e principalmente o do meu pai, dizendo que "só tenho 26 anos e muitos 'anos' pela frente para passear" com todo o apoio dele apesar da "saudade de pai".  Bem, os planos para o Atacama continuam firmes e fortes no coração, lembrar que tudo tem a sua hora nos poupa de muita coisa, e agora, planejar para voltar pra lá em breve, tenho certeza que no momento certo e em situações mais apropriadas farão esses kms valerem ainda mais a pena ;-)

Comentários

  1. Paciência interminável, hein!

    No seu lugar, iria perguntar a identificação completa dela e o nome do supervisor (só pra provocar desconforto..rs). Se continuasse, iria formalizar reclamações (tendo 6 horas disponíveis, vamos nos divertir, né?..rs). Ela iria me sacanear e eu estaria preso naquele país até hoje..rs

    Mas quem sabe a gente não passa lá, de novo e ela esteja no mesmo lugar, trabalhando com porcos..

    Como eu disse no face, tinha certeza que a decisão teve um bom motivo. Parabéns pela sabedoria, tanto no trato com a doida lá, quanto sobre os rumos da viagem.

    Abraço,

    haendel.

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  2. Bom trabalho de fds prolongado. rsrsrsrsrs

    Em 2008 fizemos direto, por off road, de Uyuni-BO até Maymará-AR (um pouco para frente de Humahuaca), mas também enrolou bastante na fronteira e saímos no finalzinho de tarde de Villazón, tivemos que rodar à noite, mas deu tudo certo.

    Quanto ao Atacama, é bom sempre deixar alguma coisa para trás, para ter por que voltar. rsrsrsrsrs

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