15/11 - O dia que as coisas não saíram como o planejado

"Se algo pode dar errado, dará!" 

Esta é a famosa lei de Murphy, e é impressionante como se contextualiza em viagens de moto. No nosso Giro não poderia ser diferente, e pra falar a verdade, ela veio a tona dia 15/11 , o dia em que NADA deveria ter dado errado.

Bem, saímos pela manhã do hotel Liporaca, em Rio Gallegos.


O Alfredo estava tbm quase pronto pra sair, mas como ele anda muito e estava com uma BMW fomos na frente, mas não demorou muito para que nos alcançasse.


Nos ajudou muito explicando como proceder na Aduana, pois neste trecho passamos pelo Chile, acredito que menos 300 kms, mas é necessário seguir os procedimentos de entrada e saída do país.


O dia já não começou muito bem quando pedi a caneta emprestada do atendente chileno. Ele emprestou e falou para devolver, ok, mas emprestei pra um dos colegas, que foi passando para outro, e para outro, e depois chegou um ônibus... todo mundo usando... quando fui ser atendida, qual a primeira coisa que o atendente pediu? A Caneta! Que eu já não fazia ideia de onde estava :( pedi uma caneta para um dos rapazes pra dar pra ele, e mesmo assim ele não gostou nada nada .

Por lá, recebemos alguns documentos como estes abaixo, que não devem ser perdidos de jeito nenhum, perca a moto mas não perca esses papéis, combinado?







O SOAPEX havíamos feito pela internet, mas fica aí o registro do atendimento por lá tbm.


Outra coisa importante é que não se pode entrar no Chile com alimentos ou qualquer coisa suspeita, e os caras reviram mesmo ¬¬' me fizeram desmontar toda a bagagem.



Bem, tudo certo... hora de partir... mas antes umas fotinhas na divisa *-*








O caminho continuou cheio de retas... vento... e tédio. Tudo muito bem sinalizado, na verdade, sem muita opção de errar rsrs...





Depois de alguns kms é necessário pegar uma balsa. Aceitam pesos argentinos tranquilamente, isso foi ótimo porque não havíamos feito câmbio para dinheiro chileno, afinal seriam menos de 300 kms... moleza!








Vendo as fotos... acho que achei explicação para as zicas que ocorrem a seguir, não dizem que não se pode tacar "pedra na cruz?" . Xixi em território estrangeiro é bem pior, tinha alguma coisa escondida por lá... alguma coisa coisa do mal!


Bem, continuamos seguindo e finalmente chegamos ao tão temível rípio, algo que tira o sono de muitos. No nosso caso foi muito tranquilo, o trecho estava em obra, estão asfaltando... mas de boa para passarmos com as trails.




Lembram-se que a alguns posts havia relatado que estava uma saga a relação da Teneré do Carlos? Pois é, e a corrente decidiu quebrar justamente nesse momento.


Neste instante foi necessário manter muito a calma, e vou relatar aqui no blog justamente pq foi um aprendizado para nós, e esperamos que seja tbm para os próximos viajantes:

1-)  eu estava irritada pq o Carlos a todo instante ficava acelerando demais, querendo sempre ficar tirando foto o tempo todo. Fotos são ótimas... mas tem momentos que era para termos cautela e andar todos juntos. 
2-) No momento que pedi para todos pararem pq o Carlos estava muito atrás, dois do grupo seguiram não entendendo o sinal, até aí, sem problema algum, o problema é que seguiram... seguiram... e tive que andar muito até encontrá-los, nesses casos, não se deve continuar, se o Carlos estivesse machucado, seria impossível nos preocuparmos em ir avisá-los, e provavelmente iríamos nos desencontrar.

Bem, o Kpot e eu voltamos e vimos essa cena. Duas argentinas nos avisaram que um amigo havia ficado pra trás.



Estávamos literalmente no meio do nada, sem dinheiro chileno, e sinceramente, sem muitas informações de como era ao redor. A uns 15 kms havíamos passado, se não me engano, pela cidade de Cerro Sombrero, não parecia ter muita coisa, mas pelo menos era algum lugar para tentarmos resolver o problema.

Enquanto fui buscar os caras que haviam seguido, o combinado era que o Kpot e o Boni fossem indo pra lá.


As fotos abaixo foram tiradas da máquina do Boni, isso porque durante esse tempo, passou um casal com uma carretinha e estavam indo para Punta Arenas, e disseram que seria o único lugar que encontrariam um mecânico e uma nova corrente, então, pra não perder a chance, o Boni embarcou, ele achou que as cidades eram próximas e que seguiríamos pra lá.



Bem, qdo encontramos o Kpot, ele nos passou esse recado, mas eu havia visto nas placas que Punta Arenas estava bem longe, pelo menos mais de 200 kms. Concluí que não seria possível irmos, porque a minha moto e a do Gerson já estava na reserva, e já havíamos usado nosso galão, se nos arriscássemos a ir, ficaríamos na estrada.

Nisso, logo na entrada da cidade tinha um hotel, então a ideia foi se hospedar por lá e dar um jeito de avisar o Carlos que estaríamos esperando ele, mas aí... eis a lembrança: Pra aliviar o peso da moto do Carlos no reboque, peguei a bolsa de ferramentas , que estava com o pezinho da marcha e outras peças, e coloquei na minha moto. Ou seja, alguém teria que ir entregar as peças!

Este hotel estava totalmente fora de cogitação pelas nossas finanças, muito, muito caro, e o único posto por lá, de um velho extremamente rabugento e que eu espero de coração que ele arda nos mármores do inferno, não aceitava peso argentino.

Depois de muita insistência com a mulher sonsa da recepção, que a cada vez que precisava respirar ligava pro chefe pra pedir permissão, explicamos o caso e eles fizeram câmbio de 400 pesos argentinos, dando 20 mil pesos chilenos, e era para irmos embora porque não trocariam mais.

Bem, para resolver a questão das peças da moto do Boni, o Kpot tomou a iniciativa e partiu para Punta Arenas, e fizemos outra merda, pra aliviar a quantidade de bagagem do Kpot, fiquei com a capa de chuva dele.

Bem, o Boni estava indo de carro, o Kpot iria encontrá-lo e o Gerson, o Sérgio e eu ficamos, afim de achar um hotel e esperá-los. Eis outro problema: O hostel da cidade não aceitava peso argentino, mas tínhamos 20 mil pesos chilenos, certo? A moeda por lá é louca, como mostra a foto abaixo, o litro da gasolina custa 771 pesos chilenos, e "todo esse valor" que trocamos não daria pra pagar nenhuma hospedagem. Bem, com receio, dividimos e abastecemos um pouco as motos, mas nenhuma de tanque cheio, e decidimos seguir para a próxima cidade, e ver o que aconteceria.

Já no final da tarde e com um frio danado, pegamos novamente esse trecho de rípio, tentando chegar na fronteira com a Argentina, mas sem fazer a menor ideia do que nos esperavam. Andamos... andamos... e foram os 120 kms mais longos das nossas vidas, muito frio, escuro e no rípio. As motos novamente estavam na reserva e nenhum sinal de civilização a vista. Finalmente achamos um hotelzinho numa cidade que parecia fantasma, justamente San Sebastián. Diferente da antipatia do pessoal de Cerro Sombrero, lá aceitavam peso argentino, e finalmente conseguimos um lugar para ficar.

Estávamos preocupadíssimos com o Carlos e com o Kpot, não havia internet para tentar contato com eles, e para conseguirmos informações, recorremos aos amigos para nos ajudar. Através do celular da dona da pousada, mandei mensagem para o pessoal do Teneré Club, onde explicamos que havíamos nos separado. Eles tbm haviam dado sinal de vida e o pessoal, do Brasil, estavam ajudando na comunicação. Mandei um sms tbm para o Nestor Arellano, da RAGMI, que estava nos monitorando, e ele tbm ajudou na comunicação com eles, no fim, todos separados, tudo certo e nada resolvido.

A pousada era dividida em vários chalés, e cada um com um com aquecedor a fogo. Ficamos em duas beliches, e no dia seguinte o Gerson, que ficou na cima, contou que quase morreu asfixiado porque esquentou demais rsrs e como o ar quente sobe... realmente ele ficou sem ar.

A água não esquentava de jeito nenhum, e assumo que dormi sem tomar banho... mas existe coisa pior, néééé Gerson:


Não tinha televisão, não tinha internet... e nós preocupados..  não foi uma noite fácil.

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